Por Rosa Tokiko
Sonoo
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“Furigana” é a palavra
utilizada para facilitar a leitura de ideogramas (kanji).
Escreve-se geralmente em “hiragana” embaixo
ou em cima da palavra escrita em “kanji” a fim
de não haver dúvida na sua respectiva leitura.
Isso acontece, muitas vezes nas letras de músicas
cuja determinada palavra é lida de modo diferente
para dar o toque especial da musicalidade como, por exemplo,
se depara freqüentemente nas canções
de “ENKA”
( música popular japonesa) a palavra ONNA escrita
em kanji e há um “furigana” embaixo com
sendo “HITO”, a palavra KOKYOU e em cima o “furigana”
como sendo “FURUSATO”, assim por diante.
Nas telas do
canal japonês NHK, às vezes aparece embaixo
do ideograma a leitura correta de nomes próprios.
Isso poderia acontecer sempre porque os nomes japoneses,
especialmente de pessoas e de lugares têm várias
maneiras de ler. E sempre ficamos com aquela sensação
de insatisfação por não conseguirmos
ter certeza da leitura correta.
Eu tenho assinatura
da revista NIHON-GO JOURNAL e sou leitura assídua
em virtude de a revista trazer todos os ideogramas com furigana
sem exceção! Mesmo sendo nisseis ou sanseis
que estudaram a língua japonesa por muito tempo,
ainda possuem certas dificuldades para fazer uma leitura
cem por cento de revistas e jornais japoneses, justamente
porque os ideogramas são grandes obstáculos.
Fiquei muito
emocionada quando li o depoimento do Sr. Hisashi Nagata
na revista “NOUSON” nº 198, edição
janeiro/2003 onde ele confessa a ignorância da sua
parte a respeito desse “furigana”. Ele sendo
japonês nato cuja profissão é editor
de revistas em japonês, sempre tinha interesse no
ensino da língua japonesa no Brasil, no entanto,
jamais notara esse importantíssimo fato. As pessoas
que estudaram a língua japonesa no Brasil se distanciavam
cada vez mais da leitura de revistas e jornais apenas porque
eram consideradas como se fossem pessoas que não
soubessem ler ou meramente não entendessem e assim
nem tomavam conhecimentos e às vezes até subestimavam-nas.
Se há redução de número de estudantes
na língua japonesa é pelo fato de que nunca
fora abordado esse assunto como sendo um problema relevante
e é muito interessante para aqueles órgãos
oficiais do governo japonês que tem por objetivo difundir
a língua japonesa no exterior. A idéia do
Sr. Hisashi Nagata poderia ser levada até ao Ministério
da Educação do Japão e poderia até
decretar uma lei que a imprensa, destinada às pessoas
residentes fora do Japão, fosse publicada com “furigana”
cujo custo poderia ser financiado por parte do governo japonês!
Em compensação, esta língua seria mais
conhecida no mundo inteiro, conseqüentemente, aumentaria
o número de pessoas conhecedoras da cultura japonesa.
Evidentemente que as pessoas que estudaram ou estudam japonês
querem ler obras de literatura como as de Kawabata Yasunari,
Endou Shuusaku, Natsume Souseki na edição
original, mas como não há “furigna”
nos ideogramas, acabam desistindo desse maravilhoso divertimento.
Se tivesse “furigana” e não entendessem
o significado dessa palavra, bastaria consultar um dicionário,
mas sem saber como é a leitura daquela palavra, não
tem nem como pesquisar!
E o Sr. Nagata
ainda frisa que para fazer com que os nisseis ou sanseis
leiam os exemplares em japonês sem “furigana”
é exigência de nível muito alto. Embora
ainda leve tempo para que sejam colocados os “furiganas”
em todos os exemplares bem como isso vá custar caro
para as editoras, é uma forma de elevar os estudos
da língua japonesa.
A vendagem de jornais, com caracteres japoneses, iria subir
muito se colocassem “furiganas” em todas as
notícias. O jornal dessa natureza seria a fonte diária
para os estudantes da língua japonesa e de tanto
lerem as palavras com “furiganas”, um dia eles
acabariam lendo sem vê-los. Que coisa maravilhosa,
vocês não acham?