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A HISTÓRIA DO PENTEADO - KAMIGATA NO REKISHI
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(artigo retirado do Jornal São Paulo Shimbum)
Consta no registro que dia 20 de agosto de 1878 (ano 6 da era
Meiji) o imperador Meiji realizou o DANPATSU (cortar o cabelo,
desfazendo o CHON-MAGE, ou o penteado ao estilo antigo). Até
então, ele usava o Chon-mage (lê-se tyon-mague), que aos poucos
foi perdendo o prestígio ante a acelerada onda de ocidentalização
que assolou o Japão logo após a revolução de Meiji, levando
as pessoas a cortarem o tradicional chon-mage e trocar as vestimentas
típicas japonesas às vestimentas e calçados ocidentais para
serem mais chiques e modernos. Por outro lado, a tradição de
250 anos arraigada durante o Período Edo não se desfez tão facilmente.
O danpatsu foi liberado em 1871 (ano 4 da era Meiji) mas antes
disso, os altos funcionários do governo que eram enviados ou
iam estudar nos Estados Unidos ou na Europa já adotavam o cabelo
curto, surpreendendo os compatriotas ao regressar ao Japão.
O corte ocidental se tornou comum entre os diplomatas e os ligados
ao comércio exterior, tornando-se um símbolo do florescimento
da civilização. Mas entre os populares ainda existiam os que
usavam o chon-mage. Dizem que devido a isso, até houve uma província
que cobrasse impostos sobre o chon-mage. Dizem também que os
funcionários públicos percorriam toda a vila e, ao achar alguém
com tal penteado, imediatamente cortavam-no. O Imperador Meiji
também decidiu-se pelo danpatsu.
Os
penteados dos cabelos sofreram transformações com a época. Nos
tempos primitivos, o penteado visto em mitologia ou nos amuletos
em forma de bonecos é um penteado masculino chamado hamizuta,
que consiste em dividir os cabelos ao meio da atesta, amarrando-os
nas laterais da cabeça acima de cada orelha em formato de 8.
Desde o Período Nara (710 a 784 D.C.) até o final do Período
Muromachi (1392 a 1573 D.C.) foi adotado o sistema de utilização
de kanmuri ou eboshi (tipos de chapéu que indicavam a hierarquia).
Como todos os homens utilizavam esses chapéus, seus cabelos
ficavam invariavelmente amarrados no alto da cabeça, não tendo
então alterações nas suas formas.
No
período Kamakura, com as contínuas guerras civis, os samurais
utilizavam com freqüência o elmo, e apra evitar que os cabelos
da região sobre a cabeça provocasse excesso de umidade e calor
começaram a raspá-los, dando início ao sakayaki. Depois de entrar
na Era Edo, os protocolos da corte e demais classes socais se
tornaram rigorosos, determinando até as cores dos cordões com
que amarravam os cabelos presos: violetas para a nobreza, vermelha
para os shoguns (generais), branca para os guerreiros de classe
inferior. Quando este costume de raspar o alto da cabeça se
espalhou entre os populares, surgiram os profissionais dessa
atividade. Surgiram então em Edo centenas de kamiyuidoko, ou
seja, barbeiros especializados.
Quanto
ao cabelo feminino, na antigüidade usava-se cabelos lisos, amarrados
ou soltos, mas no Período Nara, sob influência da China, passou
a usar 2 biotes no alto da cabeça. Posteriormente, na Era Heian
usou-se os cabelos lisos e soltos bem ao estilo japonês e, especialmente
nas classes sociais altas o normal era tê-los com 2 metros de
comprimento, sendo considerado ideal se estivessem por volta
de 50 cm. Mais longo do que a vestimenta. Porém, para as mulheres
que trabalhavam, os cabelos longos não eram práticos, então
prendiam-nos nas faixas ou nos cozes da vestimenta ou ainda
na cabeça.
Do
período Muromachi ao Período Edo, os cabelos ficaram mais curtos,
e os penteados com cabelos presos passam a ser mais comuns.
Essa moda começou a ser propagada pelas cortesãs, artistas de
kabuki, e gravuras como ukiyo-ê, tendo perto de 300 tipos diferentes
de penteado.
Em
1885 foi fundada a Associação feminina de sokuhatsu (cabelos
presos ao estilo ocidental) que, sob influência do danpatsu
masculino defendia o fim do penteado estilo oriental e o uso
do penteado ocidental. Devido a isso, até os anos 30 e 40 Meiji,
a moda foi difundida desde as altas classes sociais até as camadas
mais humildes. Nas Eras Taisho e início de Shouwa a vestimenta
ocidental se generalizou e o permanente passou a ser moda no
pós-guerra. (Artigo retirado do jornal S.Paulo Sinbum)
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