(por Rosa T. Sonoo)
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Na era Meiji 8 (1875) foi aprovada uma lei que obrigava todos os japoneses, sem distinção de classe social, possuirem um sobrenome. Até então, possuir sobrenome, assim como, um "katana" (espada japonesa) era uma prerrogativa que simbolizava a classe dominadora dos bushi ou samurais. Como exceções haviam os nobres, os samurais agricultores que residiam em regiões distantes, os monges xintoístas e os médicos que
também tinham permissão para possuí-los. Havia também os grandes comerciantes que pagavam elevada quantia em dinheiro ao governo feudal para adquirir um sobrenome.
O período Edo (entre 1603 a 1868) foi uma época em que a linhagem familiar ou a posição social prevaleciam sobre capacidades individuais. Os sobrenomes não tinham somente a função de diferenciar a família a que pertenciam mas também de indicar a posição social do indivíduo. Exemplificando, mesmo pertencendo ao clã do shogun Tokugawa da Era Edo, somente um pequeno número de famílias pôde utilizar este sobrenome, o restante usou o sobrenome de Matsudaira.
Os agricultores e comerciantes eram proibidos de usar sobrenomes oficialmente, mas os comerciantes possuíam nomes dos seus estabelecimentos comerciais, como por exemplo no caso de Kinkuniya Taroo, que equivaliam ao sobrenome.
Os imperadores da antigüidade atribuíam sobrenomes aos poderosos clãs regionais como símbolo da linhagem familiar ou funções a eles atribuídas. O que representava a linhagem familiar ou relações de parentesco era UJI e conforme UJI atribuía-se OMI, MURAJI, etc. Devido a isso, mesmo hoje em dia a Família Imperial não possui sobrenome, pois os imperadores forneciam sobrenomes a outrém. Com o decorrer do tempo, esse sistema de sobrenomes ficou desorganizado, e por isso foi realizado um tipo de
julgamento bastante estranho, chamado de KUGADACHI. Consistia em colocar a mão das pessoas na água fervente dentro de um cântaro, e aqueles cuja mão não sofresse queimaduras tinham seus sobrenomes como corretos.
Após a Reforma de TAIKA do ano 645, as funções públicas do Palácio Imperial deixaram de passar de pais para filhos e as nomeações passaram a ser feitas conforme méritos individuais. Surgiram muitos casos em que a denominação da própria função passou a ser o sobrenome.
No período de Nara ( entre 710 a 794 DC), dizem que havia mais de 1.200 sobrenomes entre os que descendiam da linhagem da Família Imperial, que se declaravam descendentes de Deus, e os provenientes da China ou da Coréia. No final do Período Heian (entre 794 a 1.185), os poderes dos clãs Genji, Heishi e Fujiwarashi originados da Família Imperial crescem, aumentando o número de famílias com sobrenome de Fujiwara. Assim, os samurais passaram a usar como sobrenome o nome das terras sob seu domínio. Estes são os primórdios do atual sobrenome.
Após a era Meiji (entre 1868 a 1912), todos passaram a ter um sobrenome. Os populares que não possuíam um, solicitavam aos grandes proprietários de terras ou de terrenos para escolherem o seu sobrenome e consta que houve casos em que praticamente a vila inteira ficou o mesmo sobrenome. De qualquer forma, parece que a maioria deles está relacionada com a natureza ou ao cultivo do arroz: Tamada, Nakagome, Kawamukai, Nakamura, Tanaka, Tamura, Ueda e outros. Dizem que existem atualmente cerca de 80 a 100 mil diferentes sobrenomes no Japão. Os mais numerosos são: Suzuki, Satoo, Tanaka,
Yamamoto, Watanabe, Takahashi, Kobayashi, Nakamura, Itoo, Saitoo, Mutoo, Yamada, Ikeda, Yoshida, Sasaki e Inoue. Os que levam o ideograma TA e DA significam arrozal ou lavoura.
Obs: Retirado do artigo publicado no Jornal S. Paulo Shinbum.