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(por Rosa Tokiko Sonoo)
Na época em que houve aquela grande transação de capital japonês, comprando prédios e empresas americanas e quando os carros japoneses estavam circulando pelos Estados Unidos, eu li uma reportagem relatando que os americanos não entendiam o porquê do sorriso amarelo, ou seja, o sorriso que os japoneses exprimiam numa determinada situação. Os americanos achavam que aquilo era um sorriso irônico, devasso, tremenda falta de educação e desrespeito a terceiros (aos americanos). Assim eles interpretaram-no evidentemente em virtude de os “Made in Japan” estarem invadindo o território americano.
Recentemente, assisti pelo canal da NHK, a desgraça ocorrida na cidade de Akashi, perto da cidade de Kobe no meio de uma festividade de fogos de artifícios.
Um dos pais, cuja filha de 5 anos fora esmagada e morta sob o agrupamento de pessoas ao atravessar uma passarela. Seu pai, entre a multidão, perdendo a sua filha de vista, relatava o acontecimento ao repórter. Esse pai, calmamente, com olhar de ardor, sorrindo um pouco, disfarçando-se as lágrimas que corriam pelo rosto, comentava diante da câmera os detalhes da tragédia.
Naquele instante eu pude perceber que aquele era o sorriso amarelo do povo japonês. O sorriso que ultrapassava a barreira da tristeza, o sorriso que comandava o seu subconsciente para que ficasse calmo naquela situação calamitosa, o sorriso gritante querendo exprimir para ter mais cuidado onde se concentra aglomerações, o sorriso amarelo que nascia da bravura, e ao mesmo tempo, dando uma esperança para aqueles que sobreviveram naquele funesto acidente.
Enfim, era o sorriso amarelo que me deixou emocionada, pois excedia os limites do quinto sentido.
O sorriso amarelo me fez lembrar também de uma irmã que perdera seu único filho de 31 anos e logo a seguir seu marido. No dia da missa de 49 dias, lá estava ela com lágrimas nos olhos, porém com o sorriso amarelo, mostrando caráter de firmeza e ao mesmo tempo, a derrota natural substituída por uma mensagem de paz e muita força moral para centenas de amigos e parentes que ali estavam presentes.
Todavia, de onde emana esse sorriso amarelo do povo japonês??? Não é nada fácil manter-se natural numa situação tão dolorosa. No meu ponto de vista, é o sorriso cultivado pelos ancestrais que vêm da filosofia do xintoísmo e dos samurais, e que nada mais é do que a coragem, humildade e paciência.
Nota-se essa conduta não somente nos isseis, também os nisseis, sanseis, etc. que foram verdadeiramente educados com esse princípio, inclusive também evidencia-se nos brasileiros, não descendentes de japoneses, que aprenderam o esmero milenar do Japão, que utilizam através da prática de esportes, tais como judou, kendou, taikendou, aikidou, karatê, assim como nos ensinamentos da Seicho-no-ie, Igreja Messiânica, Souka-Gakkai, Pensamento Livre ou Perfect Liberty (PL) e outras maravilhosas doutrinas com essa mesma filosofia.
A minha grande tristeza é quando deparo com nisseis, sanseis, yonseis com aparências nipônicas da cabeça aos pés que tão pouco se conscientizaram de quão maravilhosa é a sabedoria dos seus antepassados. Deveriam ter um imenso orgulho e consciência e gritarem: “- Eu sou descendente de japoneses, sim.”
O que eu acho muito interessante é que algumas vezes a gente encontra ocidentais que incorporaram melhor essa postura japonesa do que certos descendentes.
Agora... me enche de alegria quando encontro brasileiros natos com muito interesse em aproximar-se da nossa cultura, a cultura milenar japonesa.
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