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Uma frase, uma língua.

UMA FRASE, UMA LÍNGUA
(por Rosa T. Sonoo)


Entre os japoneses recém-chegados no Brasil, comenta-se muito sobre o uso das expressões criadas entre japoneses radicados no Brasil há muitos anos e os descendentes de japoneses, nisseis, sanseis. É o linguajar utilizado no dia-a-dia na comunidade nipo-brasileira, misturando-se às línguas japonesa e portuguesa, até criando verbos auxiliares autênticos: Língua da Colônia, "koronia-go", digamos assim.

Como eu sou uma nissei que nasci e vivi até aos 24 anos em São Paulo, convivi usando essas expressões porque facilitavam muito para comunicar-se com amigos e parentes descendentes. Entretanto, após começar a lecionar o português para os japoneses recém-chegados e o japonês para brasileiros, conscientizei-me de que deveria fazer auto-correção, pois não era nem português e tão pouco japonês que estava utilizando a qualquer hora, sem cerimônia.

E como essas expressões funcionam bem!

Por exemplo, para expressar a oração, "Eu fui ao Japão fazer compras para a festa de bodas de ouro dos meu avós.", em japonês ficaria:

" Watashi wa sofu to sobo no kinkon-shiki no tame ni Nihon e kaimono o shi ni ikimashita."

Entretanto, no linguajar da colônia japonesa ficaria assim: "Jii-tian to baa-tian ga bodas de ouro o suru kara Nihon ni compura shi ni ikimshita.", ou "Como meu jii-tian, e minha baa-tian, vão fazer kinkon-shiki, fui ao Nihon fazer uns kaimono."

Há outras expressões da colônia que, adicionando o verbo "fazer – suru" num substantivo, formam-se um verbo independente. Exemplos: fazer shiken, fazer ryokou, fazer undou, etc., ou ao contrário, prova o suru, viagem o suru, ginástica o suru.

O meu desafio, então, foi de tentar falar uma frase, curta ou longa, totalmente em japonês ou totalmente em português a fim de perder o vício da linguagem bem como para que os brasileiros e japoneses, leigos nas duas línguas, pudessem entender o que eu estava falando.

Evidentemente que há muitas palavras japonesas utilizadas em língua portuguesa que se tornaram estrangeirismo, já adaptadas o quanto possível e permitidas o uso à forma gráfica portuguesa, tais como: quimono, saquê, karaokê, xintó, xintoísmo, sushi, samurai, judô, karate, zen, etc.

Artigo publicado no Jornal São Paulo Shinbun de 16 de Agosto de 2001



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